"Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão" (1 Coríntios 9:27)
“(...) cada um considere os outros
superiores a si mesmo” (Filipenses 2.3).
Uma
forma bastante eficaz de crucificar a própria carne e considerar os outros
superiores a si mesmo é sentindo as próprias misérias (Tiago 4:9) e se
reconhecendo como não merecedor do amor e do cuidado de Deus, porém, digno do Reino
pelas aflições padecidas para alcançar essa herança (2 Tessalonicenses 1:5).
Veja o que a palavra diz em Tiago 4:9:
“Senti as
vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o
vosso gozo em tristeza”.
Essa passagem é um convite para abrirmos os olhos espirituais e discernir para onde a nossa carne
(vontade própria) vai nos levar se obedermos a ela.
Um convite a olhar o mundo e os seus prazeres com
lamento.
Um convite a prantear por querer estar com Cristo, mas saber que ainda há muitas
almas para serem salvas.
Ao fazermos isso, podemos descobrir que o nosso pior inimigo não é ninguém
além de nós mesmos.
Mas é preciso ter equilíbrio para separar as coisas. Todos nós precisamos de amor
próprio - o que não tem nada a ver com supervalorizar o próprio eu e ser
narcisista.
Ter amor próprio significa amar a nova criatura gerada pela
palavra de Cristo Jesus (1 Pedro 1:23). Esta, sim, nós temos que amar, o novo
eu criado em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24).
Pois o
novo eu é o próprio Senhor Jesus como bem lembra o apóstolo Paulo:
“Já
estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a
vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou,
e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).
Até,
porque, a Bíblia diz que nós somos o templo do Espírito Santo e que não somos
de nós mesmos (1 Coríntios 6:19). Logo, não vamos maltratar a nossa própria
carne:
“Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e
sustenta, como também o Senhor à igreja” (Efésios 5:29).
Quando Jesus declara: “O espírito é o que vivifica, a carne para
nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida” (João 6:63), podemos entender, também, como uma referência aos prazeres, à vontade própria, que leva o homem ao
abismo:
“Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os
caminhos da morte” (Provérbios 14:12).
Crucificar
a própria carne e reconhecer que ela não serve para nada é deixar de fazer a
vontade dela e obedecer a Deus:
“Digo, porém: Andai em Espírito, e não
cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito,
e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais
o que quereis” (Gálatas 5:16-17).
Aí alguém pode perguntar: "O que eu ganho deixando de viver a minha
vida?"
O apóstolo Paulo responde:
“Porque a inclinação da carne é morte; mas a
inclinação do Espírito é vida e paz” (Romanos 8:6).
Em um
primeiro momento é sempre desconfortável fazer o que não se quer. Mas, depois, compreendemos a necessidade e importância de ir contra a própria vontade
e obedecer a Deus. Temos vida e paz e caminhamos com confiança
sobre o mar de tribulações.
“Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne,
armai-vos também vós com este mesmo pensamento, que aquele que padeceu na
carne já cessou do pecado. Para que, no tempo que vos resta na carne, não
vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de
Deus” (1 Pedro 4:-2).
Perceba,
então, que viver por Cristo é padecer na carne.
“Porque a vós vos foi
concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, como também padecer
por ele” (Filipenses 1:29).
Padecimento este que redundará em muitas
graças pela certeza do reino dos céus e esperança da vida eterna. Sim, vai
valer a pena:
“Alcançando o fim da vossa fé, a salvação da alma” (1 Pedro 1:9).
Mas não
fique triste achando que essa promessa está longe de ser alcançada. Quando nos permitimos andar em Espírito e não cumprir a concupiscência da carne, o reino
dos céus fica a um passo da fé.
E o melhor de tudo: a nossa tribulação se torna
leve, momentânea e produtiva:
“Porque a nossa leve e momentânea tribulação
produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; não atentando nós
nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são
temporais, e as que se não vêem são eternas” (2 Coríntios 4.:7-18).
Não viva do
imediatismo, tenha paciência. Confie e espere em Deus que todas as coisas vão
se encaixando e se resolvendo no tempo certo.
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